A empresa Ocidental Comércio e Serviços LTDA, sediada em Paço do Lumiar, aparece recebendo contratos milionários em diversas prefeituras do Maranhão mesmo tendo capital social declarado de apenas R$ 300 mil. Só nos contratos localizados até agora, os valores já passam de R$ 15,9 milhões, um dos maiores contratos encontrados foi na Prefeitura de Balsas. Sozinha, a contratação ultrapassa R$ 8,1 milhões para locação de máquinas pesadas, veículos e equipamentos. Já em Matões do Norte, a empresa aparece em uma sequência de contratos e aditivos que se acumulam ano após ano, sempre envolvendo locações e serviços diversos.Os aditivos chamam ainda mais atenção porque esse tipo de mecanismo é frequentemente utilizado por grupos políticos e empresários para evitar novas licitações e manter os mesmos contratos ativos por longos períodos. Na prática, ao invés de abrir nova concorrência pública e permitir que outras empresas disputem os serviços, os contratos vão sendo prorrogados e ampliados através de aditivos sucessivos. É justamente esse modelo que órgãos de controle costumam observar quando começam a surgir suspeitas sobre favorecimento e direcionamento.O que mais chama atenção é que, apesar dos valores milionários, quase não existem registros públicos mostrando uma estrutura compatível com tudo isso. A empresa possui atividades em praticamente todas as áreas possíveis: coleta de lixo, terraplanagem, transporte escolar, perfuração de poços, limpeza pública, manutenção mecânica, construção civil e aluguel de máquinas.
Durante a apuração, a reportagem também tentou acessar o site institucional da empresa, mas a página estava fora do ar. O endereço eletrônico, que deveria servir para apresentar estrutura, equipamentos e atuação da companhia, simplesmente não funcionava.
Informações levantadas nos bastidores políticos apontam ainda que o nome que aparece oficialmente na empresa seria apenas figurativo. Segundo relatos obtidos pela reportagem, quem realmente comandaria a Ocidental seria o empresário Will Barros Filho, ligado a uma tradicional família da Baixada Maranhense, da cidade de São João Batista.

A suspeita que começa a circular em vários municípios é grave: a de que a empresa estaria sendo usada apenas para emissão de notas fiscais e participação em contratos públicos, enquanto os serviços seriam executados por terceiros ou, em alguns casos, nem executados da forma contratada.
Nos próximos dias, a série de reportagens irá mostrar:
- os contratos da empresa em outras prefeituras
- pagamentos milionários
- possíveis vínculos políticos
- a verdadeira estrutura da companhia
- e denúncias envolvendo serviços supostamente não realizados.
