Um grave esquema envolvendo venda de lotes e terrenos vem deixando dezenas de compradores no prejuízo na região de Barreirinhas, Tutóia e povoados próximos aos Lençóis Maranhenses. Pelo menos 10 pessoas já denunciaram Leonardo Kennedy Soares Damasceno após adquirirem terrenos que nunca foram entregues.
Segundo as denúncias obtidas pela reportagem, Leonardo negociava áreas pertencentes a terceiros, realizava o loteamento dos terrenos, vendia dezenas de lotes e depois não repassava os pagamentos aos verdadeiros proprietários das áreas.
O resultado é um rastro de compradores sem terrenos, proprietários sem receber e diversos empreendimentos mergulhados em disputas judiciais.
As denúncias envolvem os loteamentos Villa do Sol I e Villa do Sol II, além de outras áreas em Barreirinhas e Tutóia.
Uma das proprietárias prejudicadas é Daiane Manoel de Lima Ferreira, dona de uma área loteada na região de Barreirinhas. Segundo relatos e documentos obtidos pela reportagem, o terreno foi parcelado, os lotes foram vendidos, mas Daiane nunca recebeu integralmente os valores da negociação. Ela já ingressou judicialmente contra Leonardo Kennedy para tentar retomar a área.
Em Tutóia, outro proprietário identificado como Raimundo Fonseca Coutinho também teria sido vítima do mesmo modelo de negociação. Há ainda denúncias envolvendo uma terceira área em Barreirinhas pertencente a uma mulher identificada como Priscila.
As vítimas afirmam que aguardam solução desde setembro de 2025 enquanto acumulam promessas de entrega que nunca são cumpridas. Alguns compradores relatam ter adquirido vários terrenos e até hoje não receberam documentação, posse definitiva nem qualquer regularização.
Uma das denúncias já tramita no CRECI MA. Documento obtido pela reportagem mostra que houve audiência de conciliação entre Leonardo Kennedy e uma das vítimas, porém o próprio órgão classificou a tentativa de acordo como “infrutífera”. O procedimento seguirá para apuração da conduta ética disciplinar.
Os denunciantes também afirmam que Leonardo utilizava a imagem ligada ao CRECI para transmitir confiança nas negociações, exibindo certificado do órgão e fotografias com pessoas ligadas ao setor imobiliário.
Para as vítimas, o que ocorreu não se trata de um caso isolado, mas de um padrão repetido em diferentes loteamentos da região.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, mais de 40 lotes já teriam sido vendidos sem entrega definitiva aos compradores.
O espaço segue aberto para manifestação de Leonardo Kennedy Soares Damasceno e dos demais citados na reportagem.