Fonte: Blog do Minard
É sintomático que apenas após a saída de Eduardo Braide (PSD) da prefeitura de São Luís para buscar voos mais altos no cenário estadual, venha à tona a rescisão de um contrato que nunca deveria ter prosperado com tamanha longevidade. Por meses, a administração municipal manteve um cordão umbilical com o Banco Master S.A., instituição financeira que hoje é sinônimo de manchetes policiais e crises de imagem em escala nacional.
O contrato em questão — voltado para a averbação de descontos na folha de pagamento dos servidores — permitia que uma instituição cercada por denúncias de “lawfare”, manipulação de mercado e graves suspeitas judiciais tivesse acesso direto ao suado salário do funcionalismo público ludovicense.
O silêncio de Braide ante o caos do Master
Enquanto o Banco Master enfrentava o escrutínio das autoridades e via seu nome envolvido em escândalos que culminaram, inclusive, em medidas restritivas severas contra sua cúpula, a gestão de Eduardo Braide manteve-se inerte. O que se viu foi uma complacência administrativa difícil de justificar: o banco operava nos sistemas da prefeitura como se o rastro de irregularidades que o persegue pelo Brasil não existisse.
O Termo de Rescisão Unilateral nº 66/2025 foi assinado pelo então secretário de Administração de Braide, Octávio Augusto, em dezembro. Por que, então, a prefeitura esperou quatro meses para dar publicidade ao ato?
Blindagem ou gavetamento?
A estratégia parece clara: evitar o desgaste político para Eduardo Braide enquanto ele ainda ocupava a cadeira de prefeito. Ao não publicar a rescisão imediatamente em dezembro, a gestão permitiu que o banco operasse nas sombras da burocracia. A “bomba” só foi desarmada — e tornada pública — agora, sob a gestão de Esmênia Miranda, que assumiu o cargo há poucos dias com a saída de Braide para a disputa ao Governo do Estado.
O timing é perfeito para o ex-prefeito, mas desastroso para a transparência pública.
