A mais recente inserção partidária de Eduardo Braide expôs um problema que seus aliados tentam esconder há meses: a dificuldade de apresentar grandes obras estruturantes como legado de sua gestão. Na peça, o ex-prefeito aparece associando sua imagem ao Elevado Alcione Nazaré, obra entregue em 2003 pelo ex-governador José Reinaldo
A avaliação é que a propaganda escancara um momento de nervosismo da pré-campanha. Em vez de apresentar realizações próprias, Braide optou por recorrer à velha tática de tentar se apropriar de obras alheias. O problema é que, em tempos de redes sociais e arquivos digitais, reescrever a história se tornou uma missão quase impossível. O que deveria servir para fortalecer sua imagem acabou alimentando críticas sobre a falta de entregas de grande porte capazes de sustentar seu discurso eleitoral.
Mas a polêmica não para por aí. A inserção reúne uma sequência de elementos que tradicionalmente despertam atenção da Justiça: promoção pessoal excessiva, exposição individualizada do pré-candidato, construção explícita de imagem para a disputa de 2026 e uso do espaço partidário para exaltar qualidades administrativas. Em outras palavras, uma peça que mais se parece com propaganda de campanha do que com propaganda partidária.
O resultado foi um tiro que pode sair pela culatra. Ao tentar vender uma obra que não construiu, Braide não apenas abriu espaço para acusações de distorção da realidade, como também colocou sua própria propaganda sob questionamento jurídico. Na tentativa de criar um legado na televisão, acabou reacendendo o debate sobre o que efetivamente entregou à população e sobre os limites legais que uma pré-campanha deve respeitar. Em política, há exageros que viram memes. E há exageros que viram processo.