Mangueira levará para o Carnaval 2027 a força ancestral de Aydo Hwedo

Muito antes de a preocupação com o meio ambiente ganhar espaço nos debates mundiais, os povos africanos já ensinavam que a sobrevivência da humanidade dependia do equilíbrio entre o homem, a natureza e o sagrado. É essa sabedoria milenar que a Turma da Mangueira levará para a Passarela no Anel Viário, no Carnaval de 2027 com o enredo “Agô a Aydo Hwedo, o Ouroboros da Mitologia Ewe-Fon”, desenvolvido pelos carnavalescos Itamilson Lima e o carioca Cristiano Bara.

Prestes a completar cem anos de história, a segunda escola de samba mais antiga do Brasil apostará em uma narrativa que homenageia a riqueza da cultura africana e suas contribuições para a formação da identidade brasileira. O desfile será inspirado na mitologia Ewe-Fon, tradição originária da região onde hoje estão Benin, Togo e parte da Nigéria.

No centro dessa história está Aydo Hwedo, a serpente sagrada que, segundo a tradição, ajudou a divindade criadora Mavu-Lisá na construção do mundo. Depois da criação, ela passou a sustentar a Terra, tornando-se símbolo do equilíbrio entre todas as formas de vida.

Para os povos Ewe-Fon, proteger a natureza significa preservar essa harmonia que mantém o universo em funcionamento. A escolha do enredo também representa a continuidade de um ciclo vitorioso vivido pela agremiação.

Vice-campeã do último Carnaval, a Mangueira atravessa um período de crescimento artístico e consolidação entre as principais escolas de samba do Maranhão, resultado de um trabalho permanente de valorização da cultura popular e de fortalecimento da comunidade verde e rosa.

Grande parte dessa trajetória está ligada ao trabalho de Itamilson Lima, que já presidiu a escola e atualmente além de carnavalesco, comanda a Liga Independente das Escolas de Samba do Maranhão (LIESMA). Ao lado de Cristiano Bara, ele assina o enredo que marcará a caminhada da Mangueira rumo ao seu centenário.

Para Itamilson Lima, o desfile será uma homenagem à memória e à resistência dos povos africanos.”Levar Aydo Hwedo para a avenida é reconhecer a grandeza de uma tradição que atravessou séculos e continua ensinando valores fundamentais à humanidade. O Carnaval também é um espaço de valorização da nossa ancestralidade e de respeito às raízes que ajudaram a construir a cultura brasileira”, disse.

Já o carioca Cristiano Bara afirma que o enredo foi pensado para aproximar o público de uma história pouco conhecida, mas profundamente atual.
“Queremos apresentar uma narrativa que emocione pela sua beleza e força simbólica. Quando a escola canta a ancestralidade africana, ela também reafirma identidade, memória e pertencimento. É um desfile para celebrar nossas origens e lembrar que o futuro também se constrói olhando para a sabedoria dos ancestrais.”

Entre símbolos, espiritualidade e tradição, a Turma da Mangueira promete transformar a Passarela do Samba em um grande encontro entre passado e presente, reafirmando que a cultura africana permanece viva, inspirando gerações e mostrando que o respeito à natureza e à vida sempre foi um dos seus maiores ensinamentos.

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