Por Aluísio Júnior
A suposta neutralidade ou as especulações de bastidores sobre uma possível aproximação entre o grupo herdeiro de Flávio Dino e o prefeito Eduardo Braide (PSD) serviram apenas para expor a incoerência do projeto braidista. Ao selar aliança com Lahesio Bonfim (Novo), Braide não apenas abandonou qualquer pretensão de centro, mas escancarou sua face bolsonarista, isolando-se em um campo ideológico que tenta, sem sucesso, esconder sob uma gestão de fachada.
Para o grupo “dinista”, a aliança de Braide com o radicalismo de direita foi o divisor de águas que colocou um ponto final nas flertes oportunistas dos últimos meses. O cenário, agora sem meias palavras, revela um campo minado onde Braide e Camarão travam uma disputa de narrativas.
- A derrocada de Braide: Ao abraçar Lahesio Bonfim, Eduardo Braide joga por terra o discurso de “gestor técnico” e se atira nos braços do bolsonarismo explícito. A tentativa de equilibrar-se entre forças antagônicas fracassou, deixando claro que seu projeto político é refém de conveniências de momento e carece de uma base ideológica sólida, servindo de abrigo para a extrema direita maranhense.
- A “blindagem” de Camarão: Por outro lado, Felipe Camarão (PT) tenta capitalizar sobre essa radicalização do prefeito. Rotulando a chapa de Braide como “assumidamente bolsonarista”, Camarão busca monopolizar a imagem de único herdeiro do projeto de Lula no estado. Contudo, essa postura também expõe sua fragilidade: o vice-governador precisa desesperadamente da pecha de “extremista” do adversário para esconder a falta de densidade eleitoral própria, transformando o pleito em um duelo de rejeições onde tenta se vender como a única salvação possível.
As lideranças do grupo, como Márcio Jerry e Othelino Neto, rapidamente trataram de fechar as portas para qualquer negociação, selando um alinhamento defensivo. “Na chapa do PSB para o Senado não cabe candidato com perfil de extrema direita”, disparou Othelino, enquanto Jerry reforçou o slogan “Lula e Camarão”.
O que se vê no Maranhão é uma polarização forçada: de um lado, um prefeito que se perdeu em suas contradições ao se aliar ao radicalismo; do outro, um nome que tenta, a todo custo, transformar sua subserviência política ao projeto nacional do PT em um passe de mágica para viabilizar uma candidatura que ainda luta para conquistar o eleitorado maranhense.
Você acredita que essa polarização entre o “bolsonarismo” de Braide e o “lulismo” de Camarão será suficiente para decidir a eleição, ou o eleitor está cansado desse embate ideológico?