STF autoriza investigação contra Fábio Luís Lula da Silva por suspeita de tráfico de influência

​O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeita de tráfico de influência e corrupção. O pedido foi formalizado pela Polícia Federal (PF).

​O contexto da investigação

​Embora o primogênito de Lula já estivesse sob escrutínio em um inquérito relacionado a fraudes em descontos de aposentados do INSS, a nova apuração da PF concentra-se na comercialização de cannabis medicinal, com supostas conexões envolvendo servidores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial.

  • Tentativa de redistribuição: Ao seguir uma linha investigativa distinta do caso do INSS, a PF solicitou a redistribuição do processo, pedido respaldado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, o caso acabou por retornar à relatoria do ministro André Mendonça, que autorizou a abertura das novas diligências.
  • Compartilhamento de provas: A corporação também requereu autorização para utilizar elementos probatórios obtidos no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação sobre desvios no INSS que também está sob a condução de Mendonça.

​Os suspeitos e o suposto esquema

​A representação de 34 páginas encaminhada ao STF aponta que Fábio Luís teria atuado em benefício próprio junto ao governo federal. O esquema contaria com a participação da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

  • A articulação: Segundo depoimentos colhidos pela PF, Luchsinger atuava como o elo entre o lobista e o filho do presidente. Antunes, com histórico no setor farmacêutico, tentava expandir sua atuação no mercado de canabidiol por meio de sua empresa, a World Cannabis.
  • A viagem à Europa: De acordo com o relato da empresária, o interesse inicial de Lulinha pelo tema decorria do uso de medicamentos à base de cannabis por familiares em tratamento médico. Esse cenário motivou o convite de Antunes para uma viagem conjunta à Europa em novembro de 2024.
  • O lobby no Ministério da Saúde: A investigação aponta que o objetivo comercial era viabilizar um contrato para a inclusão de medicamentos à base de cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS), plano que acabou não se concretizando. Registros fiscais indicam que Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão — divididos em cinco parcelas de R$ 300 mil — por serviços de consultoria prestados ao lobista.
  • Provas materiais: Um áudio obtido pela investigação mostra a empresária orientando Antunes, no início de 2025, sobre estratégias jurídicas para viabilizar o acordo com o governo por meio de dispensa de licitação.

​Posicionamento da defesa

​Procurada para comentar o caso, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, representada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, declarou que ainda não teve acesso formal ao novo pedido da PF e que, por isso, não pode se manifestar detalhadamente sobre o teor das acusações.

​O advogado questionou a competência do STF para julgar o caso e argumentou que a abertura de uma nova frente de apuração sinaliza que a investigação principal da Operação Sem Desconto não encontrou vínculos entre seu cliente e as fraudes no INSS. Para a defesa, o empresário nunca teve envolvimento com o escândalo anterior, classificando a nova investida como uma possível “pescaria probatória”.

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